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1A publicação de um número especial da revista “Territórios do vinho” consagrado ao Brasil se justifica por diversas razões.

2Primeiramente, porque as instituições acadêmicas e de pesquisa de viticultura e enologia brasileiras constituem, para a Cátedra UNESCO “Cultura e Tradições do Vinho” da Universidade da Bourgogne, parceiros de longa data, muito ativos e produtivos ao longo dos anos dentro da nossa rede internacional.

3Tendo iniciado com a Embrapa Uva e Vinho de Bento Gonçalves, esta cooperação se fortaleceu sem parar, marcada pela inclusão de novos parceiros: a Embrapa Semiárido de Petrolina, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade de Caxias do Sul (UCS), a Universidade Candido Mendes do Rio de Janeiro, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), a Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) de Don Pedrito. Ao mesmo tempo, os programas de cooperação em formação e pesquisa se multiplicaram, assegurando uma dinâmica de intercâmbio de pesquisadores.

4Podemos aqui destacar alguns dos aspectos desta mobilidade compartilhada: diversos jovens pesquisadores brasileiros, por exemplo, receberam uma bolsa de tese oferecida pela Cátedra, em apoio a suas pesquisas. Dois bolsistas obtiveram o título de doutorado em cotutela com a Universidade da Bourgogne, sendo que todos os laureados recebidos na Bourgogne atualmente ensinam em universidades brasileiras. Outra marca do dinamismo do intercâmbio é constatada por ocasião dos eventos internacionais: conferencistas brasileiros tem sido frequentemente convidados da Cátedra UNESCO nos “Rencontres du Clos Vougeot” que ocorre todos os anos durante o período de colheita no chateau epônimo; igual presença brasileira é verificada a cada edição, de periodicidade trianual, do seminário WAC de Beaune (Compostos Ativos do Vinho).

5Em 2013 foi o seminário internacional organizado pela Universidade Federal do Paraná e pela Cátedra UNESCO, com a participação do setor produtivo dos vinhos de altitude do estado de Santa Catarina, ocorrido em Florianópolis (SC) e que mobilizou inúmeros pesquisadores da nossa rede internacional. Somamos a estes eventos, as edições periódicas do “Simpósio Internacional dos Vinhos Tropicais” – ISTW, coordenado pela Embrapa, evento do qual a Cátedra UNESCO é co-promotora.

6Estes eventos científicos internacionais são enriquecidos pelos aportes das pesquisas da cooperação franco-brasileira, conduzidas especialmente por ocasião das missões comuns às regiões vitivinícolas deste imenso país. Se trata, para exemplificar, do aporte de experiências relativas ao patrimônio vitivinícola da herança da imigração italiana no país, objetivando abrir espaços para a estruturação de Indicações Geográficas; ou ainda, pelo aporte de elementos para estimular o desenvolvimento do enoturismo nas regiões vitícolas.

7Segundo grande argumento para a publicação deste número especial do Brasil: o notável dinamismo do mundo da uva e do vinho neste “país continente”. A produção de vinho se dá de longa data, desenvolvida durante muito tempo a partir de variedades híbridas para um consumo essencialmente local e familiar. Por outro lado, nos últimos 40 anos foi iniciada uma mutação completa, apoiada ou implementada pelos trabalhos da EMBRAPA: com foco nos vinhos finos, atuando na qualidade do material vegetativo, nos sistemas de condução e nas técnicas enológicas, nos vinhos que chegam ao mercado e que conquistam, pouco a pouco, suas Indicações Geográficas. Isto sem contar todas as regiões vitícolas que tem se multiplicado ao longo do tempo, consolidando, com destaque, uma expressiva produção de vinhos espumantes, bastante reconhecidos junto ao mercado consumidor, também podemos lembrar de outros destaques da vitivinicultura brasileira: no Rio Grande do Sul, o Vale dos Vinhedos na Serra Gaúcha, na maior e mais tradicional região, a Serra do Sudeste e a Campanha Gaúcha; os vinhedos de Santa Catarina, renomados pelos seus vinhos brancos de altitude. Na zona tropical, lá também as áreas de cultivo não param de ser ampliadas. Dos amplos vinhedos do Vale do São Francisco, em clima semiárido, se somam inúmeras propriedades, muitas vezes de pequeno porte, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

8Todas as contribuições dos pesquisadores brasileiros contidas na edição número 9 da revista “Territórios do Vinho” possibilitam ter uma visão desta longa e rica história do vinho, do dinamismo e das grandes potencialidades deste mundo vitivinícola brasileiro.

9Jocelyne Pérard

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Pour citer cet article

Référence électronique

Jocelyne Pérard, « Prefácio », Territoires du vin [En ligne], 9 | 2018, mis en ligne le 13 septembre 2018, consulté le 16 décembre 2018. URL : http://preo.u-bourgogne.fr/territoiresduvin/index.php?id=1657

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Auteur

Jocelyne Pérard

Responsável Chaire UNESCO « Culture et Traditions du Vin » do Université de Bourgogne

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